Sentada em um banco qualquer de uma praça qualquer, num domingo qualquer, olhava os casais de mãos dadas feitos de risadas. Ela olhava as mãos entrelaçadas e olhava sua própria mão predestinada a solidão, ao abandono. As vezes ela se dava ao trabalho de respirar. Às vezes ela sentia medo, às vezes de ficar muda, às vezes de ficar louca. Trazia sempre em sua bolsa surrada pelo tempo: livros e cigarros, eram as únicas coisas em que ela realmente era apegada.
A vida ela já não sabia mais, viver se tornou facultativo. Gostava de sonhar, mas tinha insônia e quase não se lembrava mais quando foi a última vez que sonhou. Não era triste, não era feliz. Ela apenas esperava. Esperava alguém, esperava um motivo, para rir ou para chorar. Para viver.
domingo, 15 de maio de 2011
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