sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Olhos Cor De Mar

    Os teus olhos, são eles, alguma coisa dentro desse mar verde, profundo, turvo e denso. Me lembro quando conheci teus olhos, dispersos, pensando em alguma coisa fútil pra dizer em uma madrugada tão longa. Não precisaria dizer, seu desespero estava ali, escancarado, querendo qualquer lugar mais calmo pra simplesmete poder fechar-los.
   Se tenho o direito de dizer-lhe algo, digo que não feche, ao sol teus olhos brilham. Saia sempre de casa, mas não vá pela sombra.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Vou guardando, empurrando, ocultando todas essas coisas podres que sinto. Tenho a impressão de que se eu enfiar uma faca no peito, vai sair um ar fétido, cheiro de podridão, o que eu guardo aqui são coisas tão vazias e fétidas. Eu continuo empurrando lá pro fundo, sinto que está chegando no estômago, sinto ânsias de vômito, sinto que a qualquer momento vou vomitar no rosto de alguém. Enquanto conseguir vou guardando.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Compota de mim

Quero sair dessa geladeira em que você me colocou. Eu quero nós dois. Quero o mar, a areia e o céu que você vive dizendo que odeia. Quero sol e o vento das sete horas da manhã. Só não demore demais, meu prazo de validade deve estar por acabar, porque estou começando a exalar o cheiro podre do nosso amor e eu já devo estar com o gosto acre. Bote um pouco de açucar e me tire desse frio.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Névoa Cinza

     Adoro esses dias em que meus olhos estão cinzas. A maioria das pessoas não consegue me enxergar diante de tanta nebulosidade e eu não as enxergo. São nesses dias que eu quase consigo tocar minhas entranhas, meus sentidos escondidos no canto escuro. No final deles sempre chego a uma conclusão fúnebre. Não consigo iluminar meus cantos escuros. Onde é mesmo que estou?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Lonely Day"

    Aqueles 87 m² estavam ficando cada vez maiores, aquelas paredes pareciam monstros. Eu constumava me trancar dentro do quarto escuro, porque quando tudo está escuro por mais arregalados que meus olhos estivessem o que via é o Nada. Exatamente o que eu sinto, Nada.
    Num surto de solidão liguei para ela, pareciam anos cada segundo esperando alguma voz do outro lado. Até que finalmente veio. Disse algumas bobagens sem sentido. Doze minutos depois a campanhia tocava. Ela entrou reclamando do mau cheiro, do apartamento que estava uma completa desordem. Ela me olhava com pena e estranheza, já não conhecia aquele homem maltrapilho a sua frente.Aquele homem que conheceu há 6 anos atrás já não tinha o mesmo sorriso transparente.
    E eu... não dizia absolutamente nada, num instinto ela começava a tagarelar dizendo que eu precisava dar um jeito nessas paredes descascadas, no chão sujo e nas roupas jogadas. E eu quase sem perceber que estava falando, gritei: "Pare!". Ela me olhou assustada. Continuei, sereno: "Meu bem, me faça mais café, encha minha xícara, acenda-me este cigarro, pegue Drummond na estante e depois vá embora que eu não pedi amor".

A Tristeza de Amar

Às vezes me sinto estranha,
alguns dizem que é tristeza
outros dizem que é amor.
Não é a mesma coisa?

Meus olhos parecem uma torneira estragada,
de tempos em tempos deixa escorregar uma lágrima.
É amor ou é tristeza?

Meu coração parece que comeu banana verde
tão apertado que está.
É amor ou é tristeza?

Meus pensamentos... Ah, esses são pássaros
voam tanto que quando voltam pro ninho querem bater asas de novo.
Mas não podem, porque é amor.

domingo, 15 de maio de 2011

Inspirar e expirar

     Sentada em um banco qualquer de uma praça qualquer, num domingo qualquer, olhava os casais de mãos dadas feitos de risadas. Ela olhava as mãos entrelaçadas e olhava sua própria mão predestinada a solidão, ao abandono. As vezes ela se dava ao trabalho de respirar. Às vezes ela sentia medo, às vezes de ficar muda, às vezes de ficar louca. Trazia sempre em sua bolsa surrada pelo tempo: livros e cigarros, eram as únicas coisas em que ela realmente era apegada.
     A vida ela já não sabia mais, viver se tornou facultativo. Gostava de sonhar, mas tinha insônia e quase não se lembrava mais quando foi a última vez que sonhou. Não era triste, não era feliz. Ela apenas esperava. Esperava alguém, esperava um motivo, para rir ou para chorar. Para viver.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

      Apresento me com estranheza, sem certeza. Alguma espécie de impulso sem perspectiva. Alguma tentativa de colocar meus monstros, medos, lágrimas pra fora, e porque não alguns sorrisos? 
      As dúvidas do êxito é a motivação.