sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Lonely Day"

    Aqueles 87 m² estavam ficando cada vez maiores, aquelas paredes pareciam monstros. Eu constumava me trancar dentro do quarto escuro, porque quando tudo está escuro por mais arregalados que meus olhos estivessem o que via é o Nada. Exatamente o que eu sinto, Nada.
    Num surto de solidão liguei para ela, pareciam anos cada segundo esperando alguma voz do outro lado. Até que finalmente veio. Disse algumas bobagens sem sentido. Doze minutos depois a campanhia tocava. Ela entrou reclamando do mau cheiro, do apartamento que estava uma completa desordem. Ela me olhava com pena e estranheza, já não conhecia aquele homem maltrapilho a sua frente.Aquele homem que conheceu há 6 anos atrás já não tinha o mesmo sorriso transparente.
    E eu... não dizia absolutamente nada, num instinto ela começava a tagarelar dizendo que eu precisava dar um jeito nessas paredes descascadas, no chão sujo e nas roupas jogadas. E eu quase sem perceber que estava falando, gritei: "Pare!". Ela me olhou assustada. Continuei, sereno: "Meu bem, me faça mais café, encha minha xícara, acenda-me este cigarro, pegue Drummond na estante e depois vá embora que eu não pedi amor".

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